sexta-feira, 30 de abril de 2010


..::Nobre Melodia::...
Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas
Ferida por alguns espinhos, derramava meu sangue
Sentia meu espírito me deixar alguns instantes

Sentei-me então perto à maior lápide
Ouvi sussurros do vento
Quebravam aquele silêncio
Harmoniavam aquele momento

E naquela nobre melodia
Confusa, eu me perdia
Negras sombras já estavam a me envolver
E meu coração, eu nem sentia mais bater

E num momento repentino
Já era finito meu desatino
Meu coração já voltava a doer
E as sombras começavam a desaparecer

Com o tempo, já não ouvia mais o vento
Dentro de mim, gritavam meus lamentos
E novamente..
Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas

Morte...

Não vejo na vida qualquer beleza
Não vejo na vida qualquer encanto
Estou mergulhado nas profundezas da tristeza
A Morte acolheu-me em seu negro manto
Viver a vida foi um erro fatal
A vida abandonou-me à própria sorte
O desprezo, a solidão e uma tristeza infernal
Me levaram então a viver a morte
Morte, te entrego meus sentimentos,
Minha tristeza e meu corpo
E declaro nesse melancólico momento
Que anseio muito por estar morto
Morte, entoe sua melancólica melodia
Sim Morte, quero ouvir seu canto
Não quero mais ver a luz do dia
Não quero mais enxugar meu pranto
Se não consigo mais sorrir
e só vivo a lamentar
Morte, cante para mim dormir
e nunca mais acordar...